Fraturas da Pelve

Por Dr. Jairo Jaramillo Cárdenas /

O osso coxal (pelve) esta conformado por 3 principais ossos: o ílion, o púbis e o isquion, eles tem funções muito importantes em todas as espécies de animais.

O osso coxal (pelve) esta conformado por 3 principais ossos: o ílion, o púbis e o isquion (figura 1); eles tem funções muito importantes em todas as espécies de animais. No cavalo atleta, as funções biomecânicas são destacadas sobre outras espécies de animais, da mesma forma que acontece na espécie humana.

Proteção de órgãos (útero, bexiga), proteção de vasos sanguíneos e nervos (artéria, veia e nervo obturador, femoral e ciático - figura 2), inserções musculares que sustentam vários órgãos abdominais (músculo reto abdominal e oblíquos abdominais - figura 3), inserções musculares que induzem a flexão coxofemoral (músculo iliopsoaps - figura 3), a propulsão do membro pélvico (músculo glúteo médio - figura 3), e a flexão femorotibiopatelar (músculo semitendinoso) entre outras, são funções muito importantes da pelve.

Apesar da grande importância funcional e estrutural do osso coxal, as fraturas de pelve, encontram-se como a patologia de maior incidência dentro das lesões desta região. A maioria destas fraturas são por trauma e algumas por tração biomecânica muscular. A própria distribuição do osso coxal, faz com que ele tenha algumas protuberâncias que acabam recebendo potencialmente o estresse na hora do impacto. As tuberosidade coxal, sacra e isquiática, são as regiões mais insinuadas da pelve (figura 1), o que acaba predispondo para que uma queda, um trauma ou um impacto direto, atinge na maioria das vezes estas regiões. Outras regiões menos insinuadas podem também direcionar a onda de estresse (impacto) para a região da pelve, como acontece com o trocanter maior (cranial e caudal) do fêmur, ligado diretamente à região do acetábulo (figura 4).


O prognóstico das fraturas da pelve, está relacionado com o grau de envolvimento muscular, comprometimento de tecidos moles e envolvimento acetabular. Não todas as fraturas de pelve tem um prognóstico atlético ruim mas a maioria delas deixa uma sequela tanto estética quanto biomecânica. A fratura acetabular (figura 5), é considerada como uma das fraturas de pelve de pior prognóstico já que o acetábulo forma parte da articulação coxofemoral que é considerada como uma articulação de alto movimento, além de participar na indução da flexão e extensão da articulação femorotibiopatelar, ativando o sistema recíproco distalmente.

Na impossibilidade de flexão coxofemoral, o resto das articulações distalmente, também não se flexionam. O acetábulo, está formado pelo colo dos 3 ossos coxais (íleo,isquion e púbis), por conseguinte, qualquer tipo de impacto nas tuberosidades citadas acima, pode resultar na fratura acetabular (figura 6).

Talvez a maior incidência das fraturas do acetábulo (pode incluir a cabeça e/ou colo femoral) acontecem por impacto lateral no trocanter maior do fêmur, mas elas são também descritas por impacto em qualquer uma das protuberâncias da pelve (figura 1). Embora em pequenos potros possa ser possível radiografar a pelve (figura 7), normalmente os equipamentos portáteis de raio X, não possuem potência suficiente para poder penetrar e diagnosticar fraturas nesta região em cavalos adultos; por outro lado, anamnese, uma boa inspeção estática (figura 8A e 8B) durante o exame clínico, uma avaliação ultrassonográfica completa e uma anatomia apurada, são suficientes para diagnosticar praticamente todos os tipos de fratura na pelve.
O exame ultrassonográfico retal é fundamental para poder reconhecer fraturas que não são visíveis no escaneamento externo da pelve e que na maioria das vezes não são reconhecidas durante a palpação retal tradicional. As fraturas da pelve mais comumente conhecidas são: fraturas do acetábulo - figura 5, (com e sem envolvimento femoral), da asa do íleon (figura 9A e 9B), da tuberosidade coxal (figura 10),do colo do íleon (figura 11), do púbis, do isquion ou a combinação delas (figura 12). Depende do tipo da fatura, as aparências físicas externas do cavalo, o tipo de andamento ou a postura externa podem ser sugestivas ou patognomônicas (figura 8B).

Geralmente o tratamento se foca em repouso e controle da dor. Normalmente é muito difícil o acesso cirúrgico para reduzir um tipo de fratura como este, além de que a massa e tensão muscular não permitem um fácil acesso. Infiltrações articulares em fraturas que envolvem o acetábulo ou a articulação coxofemoral são indicadas guiadas por ultrassom, mas nem sempre tem uma eficiência importante, levando em consideração o aparecimento sequencial de uma degeneração articular grave. A mesoterapia (figura 13), acupuntura e outras alternativas terapêuticas podem ser favoráveis para o manejo da dor; já a quiropraxía é totalmente contraindicada. Um diagnóstico apurado, específico e cuidadoso é necessário para determinar o melhor manejo, tratamento e prognóstico que o cavalo com fratura de pelve deve ter.















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